Eu me pensei feminista, nunca pensei no feminismo e mal pensava na sua importância.

Fui desafiada a pensar.

Fui desafiada a pensar o meu lugar diante da sociedade, e porque onde estou hoje em dia, eu deveria agradecer alguém que lutou no passado.

É só parar para pensar junto comigo. Sair da casa dos pais para estudar? Ser jornalista? E mais ainda, querer ser jornalista esportiva? Muitas passaram antes de mim e abriram caminhos para que hoje, em 2017, eu pudesse sonhar com essa profissão e fazer com que eu esteja em uma posição um pouco mais favorável e não precise falar sobre luta diária para o meu espaço (por mais que eu entenda que seja necessário). Meu atual objetivo é formar, é abrir mais esse caminho, para que outras, que como eu, sonham em trabalhar e vivenciar o futebol.

Repetidamente eu falo sobre como começou a minha história de torcedora, e como foi difícil, mas acho que nunca deixei claro que, o que eu passei, talvez outra mulher, no mesmo lugar, não tenha passado.

Mas porque isso, Monique? Pelo simples fatos das pessoas serem diferentes, minha chegada no estádio foi sozinha, sem um namorado, sem um pai e sem conhecer a maioria das pessoas; e isso, é diferente da maioria das pessoas. Talvez se meu pai que fosse me levar, as pessoas veriam de outra forma, ou namorado quem sabe, não sei e nunca vou saber, mas no mesmo ambiente, com as mesmas pessoas no envolto, pode-se ter situações diferentes.

E porque estou dizendo tudo isso? Estava outro dia no Facebook e vi a página “Et.torcida” colocar um vídeo sobre o MARAVILHOSO sobre o “I Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada” e vi críticas – críticas de pessoas que não conseguiam argumentar, ou não queriam. Uma menina falando sobre “NA MINHA TORCIDA NÃO TEM MACHISMO, E EU TENHO MEU LUGAR, PORQUE EU SEI ME COMPORTAR QUE NEM MULHER DE VERDADE”, e fiquei me perguntando algumas coisas:

  • Se na torcida dela não tem machismo, porque outras da mesma torcida, dizem ao contrário?;
  • O que seria se comportar como mulher de verdade? Eu achei que pra ser mulher de verdade, era SIMPLESMENTE SER mulher.

A menina colocava pontos que foram totalmente discutidos no Encontro, mas a mesma não foi ao Encontro, falava que a gente estava impondo o “mimimi” no futebol e foi por isso que pensei mais e pensei na minha trajetória. As vezes ela pode não ter sofrido machismo, pela forma que ela entrou, ou porque também, muitas mulheres antes dela, já abriram um caminho de diálogo com os homens e agiram antes dela, mas isso ela não vê.

Futebol moderno? Mimimi?

Outros pontos da discussão do Facebook, que eu não deveria levar a sério,  era sobre homens falando: “NOSSA, POR ISSO QUE O FUTEBOL TÁ CHATO”, “ACABEM COM ESSE MIMIMI”, “É ISSO QUE ESTÁ ACABANDO COM AS TORCIDAS” e coisas do tipo.

Em minha opinião, de quase jornalista e respaldada por trilhões de artigos que estou lendo para o TCC (vai sair!), isso não é o futebol moderno, isso não está acabando com o futebol e só é mimimi quando acham que é banal, e isso não é banal. O futebol moderno existe sim, mas não é porque a mulher quer seu lugar na arquibancada e quer ser respeitada como torcedora ou como jornalista, o futebol moderno, é porque ao invés de estádios para o povo, existem arenas para pequenas parcelas da população, é porque jogador está ganhando trilhões de reais (em sacolas de arroz, Nunes), apenas para poucos admirar.

Futebol moderno está ae, porque não valorizam o time das cidades e vão torcer para o time da capital, é porque muitos preferem serem espectadores, do que realmente torcedores, além de muitos outros fatores mais alarmantes.

E apenas mais um ponto, as torcidas estão acabando por culpa desse povo, que fica na internet reclamando e não levanta da cadeira para lutar por seus direitos; que paga R$ 200,00 reais em ingressos e acha normal os outros ficarem de foram. As torcidas estão acabando, porque ao invés de se reunirem e pensarem como um grande grupo de TORCIDAS QUE QUEREM FAZER FESTAS, preferem ficar nas redes sociais xingando e falando que não anda com “alemão”, enquanto todos seus direitos vão para o ralo.

Eu acho que quis falar muita coisa, e mais uma vez, não falei nada. Mas segue o baile, e segue o discurso: NÃO AO FUTEBOL MODERNO e LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER, inclusive, na arquibancada, tremulando bandeira e tocando na bateria. Vou voltar pro TCC, hehe.

2016-11-19-15-57-40

 

 

Monique Torquetti, 25 anos, quase jornalista, quase fotógrafa, quase blogueira e com toda certeza uma torcedora viciada pelo XV de Piracicaba. 

 

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